O Oceano no Fim do Caminho – Review

Há muitos anos atrás lembro-me de ver o livro “Deuses Americanos” numa livraria e pensar que a obra abordava uma temática interessante mas que talvez tivesse uma narrativa demasiado complexa para o que eu procurava na altura. Recentemente decidi que devia aventurar-me no mundo de Neil Gaiman até porque “Deuses Americanos” está neste momento a ser adaptado para cinema. Queria um compromisso pequeno com o autor por isso em vez de saltar logo para o objetivo principal decidi provar primeiro as águas deste oceano.

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O Oceano No Fim do Caminho é contado através da perspetiva de um adulto que recorda a sua infância, pela ocasião de um funeral que o leva de volta à sua terra Natal. Da mesma maneira, ao contar a história de quando era pequeno, a personagem principal refere o ponto de mudança na sua infância, até ali normal, como sendo o suicídio de um mineiro sul-africano.  A ligação entre as duas histórias paralelas – o passado e o futuro- é a morte, porque não existe nada mais real, assustador e misterioso que esse acontecimento.

A narrativa toma contornos fantásticos e sobrenaturais que se desenrolam como metáforas dos sentimentos de uma criança de sete anos e como esta perceciona o “mundo dos adultos”. Apesar de conter um bom pedaço de fantasia mais infantilizada podemos deliciarmo-nos com as metáforas que talvez escapariam a um olhar mais jovem. O tema geral do livro manteve-me sempre em mento o filme de animação “Coraline”, inspirado pelo livro com o mesmo nome, também de Neil Gaiman. O tema subjacente de um ambiente familiar seguro que de repente é abalado por uma substituição da imagem materna é muito forte em ambas as histórias, de maneira que a visão que a personagem principal tem sobre o mundo fica para sempre alterada.

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Ainda que pequenino em tamanho este livro é grande em significado. Podemos incitar a ideia de que é essencialmente um conto sobre a memória. Sobre como acontecimentos de infância iniciam o compasso da personalidade adulta de um indivíduo, esteja este ciente desse facto ou não. Do ponto de vista de um adulto mostra que mesmo quando crescemos ou envelhecemos continuamos com dúvidas e receios e isso faz parte de “ser”.

Neil Gaiman oferece-nos algo especial com a sua escrita, algo que não é mensurável nem passível de explicação… mas nenhuma coisa especial o é.

“Vou dizer-te uma coisa importante. Os adultos também não parecem adultos, no interior. Por fora são grandes e intrépidos e sabem sempre o que fazer. Por dentro são como sempre foram. Como eram quando tinham a tua idade. A verdade é que não há adultos. Não existe nem um, no mundo inteiro.”

 

Página 77 – Lobo Solitário

“É por isso que os dançarinos aprendem desde o primeiro momento a concentrarem-se num ponto fixo à sua frente enquanto fazem piruetas: todos queremos ser capazes de encontrar o lugar onde começamos.”

Jodi Picoult, Lobo Solitário

Página 39- Lobo Solitário

“Sinto-me como Gulliver em Lilliput, demasiado crescido para as minhas próprias memórias.”

Jodi Picault, Lobo Solitário

Da Senhora Peregrine para Tim Burton/From Miss Peregrine to Tim Burton

O anúncio de que o Tim Burton tinha pegado na ideia do livro da senhora Peregrine para fazer um filme já não é nova, porém, apenas na semana passada foram divulgadas as primeiras fotografias do filme (http://www.ew.com/article/2016/03/04/miss-peregrine-tim-burton-photos e http://www.empireonline.com/movies/news/tim-burton-miss-peregrines-home-peculiar-children/). Assim, e apesar de eu já ter lido este livro há um ano atrás, decidi mostrar-vos um bocadinho deste mundo peculiar antes de o vermos através dos olhos de Burton.

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Quando era pequena a minha palavra favorita era “bizarro” Penso que a ouvi pela primeira vez enquanto via uns desenhos animados na velha casa dos meus avós. Com a magia própria das palavras “bizarro” ficou sempre comigo, marcando-me em todas as escolhas literárias do futuro. Assim não é de estranhar que no dia em que completei 22 anos tenha adquirido o livro “O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares” de Ransom Riggs. Este livro surgiu de uma coleção de fotografias vintage, algo bizarras, através das quais o autor construiu uma narrativa incorporando romance, mistério e claro, crianças peculiares.

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Para além de lerem diz-se que os olhos também comem e os meus adoram edições especiais de livros. Também se diz que não se deve julgar um livro pela capa… mas o que fazer quando a capa é deliciosa? O Lar da Senhora Peregrine é essencialmente isto, uma obra visual em que a narrativa está, por vezes, forçada a compactuar com as fotografias de uma forma que nem sempre é harmoniosa. É uma leitura suave, direcionada a uma faixa etária mais jovem que a minha mas que não deixa de ser adequado para alguns adultos que, como eu, ainda se lembram do que é ser uma criança e querem celebrar isso com um livro… peculiar.

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Estou muito curiosa para ver como vai ser esta abordagem cinematográfica aos livros. Espero que a combinação ultra especial de Burton + Eva Green resulte num filme mais negro que a obra em que se baseia.

Ainda acho que a Helena Bonham Carter dava uma ótima Miss Peregrine… mas todos sabemos porque é que ela não está no filme.

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Harry Potter – Edição Ilustrada/Illustrated edition

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No fim do ano passado foi lançada a edição ilustrada do Harry Potter e a Pedra Filosofal pela Editorial Presença. Eu tive que por as minhas mãos num ou o meu coração murchava tipo passa de uva seca. O livro tem o texto original, é de capa dura e de grandes dimensões.

Recentemente tive um tempinho para explorar o livro com calma e senti-me uma miúda outra vez com as ilustrações dos dragões, ogres e personagens. Tirei umas fotos para quem tem curiosidade de espreitar e antes que me perguntem: claro que vale a pena.

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Last year it was lauched an illustrated edition of Harry Potter and the Philosopher’s Stone. I had to get my hands on one of these or my heart would srink like an old rasin. The book has the original text, hard cover and it’s big.

Recently I had some time to explore it properly and felt like a little kid again with the illustrations of dragons, ogres and characters. I took some photos if you are curious to take a look and before anyone asks: yes, it’s worth it.

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