Review do livro e filme “A Rapariga no Comboio” ou a história de como eu fiquei convencida que ia ser assassinada.

rc

Comprei o livro de A Rapariga no Comboio em Março ou Abril deste ano e andei, sem desculpa eu sei, a adiar a leitura. Cada vez mais perto a data da estreia, aqui a vossa amiga Inês pôs olhos à obra e prometeu ler o livro antes de ir ver o filme. O único problema é que eu ia ver o filme na quinta e já era terça-feira. Pois. Assim começa a história da Rapariga no Comboio e de como eu fiquei borderline paranoide.

Era terça, uma da manhã, quando comecei a ler o livro e achei mesmo que não tivesse tempo de acabar antes nos dois dias também não fazia mal. Assim tinha a experiência de ler o livro e o final surpreendente no filme. O livro demorou um bocadinho a apresentar as personagens mas assim que apanhou o passo não consegui mais parar. Os personagens são extremamente bem retratados, tão bem que ficamos a achar e a compreender cada um deles e o porquê de cada uma das suas ações, por mais bizarras que sejam. É uma montanha russa de emoções e questões a cada segredo que é desvendado. Esta história tem várias camadas, cada uma com um segredo que nos altera toda a perceção da narrativa. É impossível deixar de comparar este livro ao Gone Girl, são similares na sua essência, exploram as relações amorosas na sua forma mais deteriorada no entanto a Rapariga no Comboio é mais simples. Mais simples na narrativa mas igualmente complexo na interpretação que eu faço dos acontecimentos. A história segue a vida de três mulheres, ambas em pontos diferentes nas suas vidas, mas vidas essas bastante similares. É quase como se fossem vidas espelhadas. Para mim, as três mulheres representam vários estados da mesma relação: o início maravilhoso, o meio das desconfianças e o término que no fim se fundem no mesmo final trágico.

Tinha esperanças que o filme fosse igualmente surpreendente, rápido, insightful, cheio de mistérios e segredos, porém assemelhou-se mais a um episódio de CSI. Posso até dizer que o livro oferecia mais conteúdo gráfico que o filme, o que pode ser difícil de imaginar. O livro é bem mais povoado de emoções, violência e sexo que o filme, é mais estimulante em todos os sentidos. Sinto que talvez tenha sido um filme apressado pela onda de popularidade do livro mas existiram cenas mal aproveitadas uma vez que o conteúdo base era tão rico.

Li o livro em duas noites, na segunda noite até às quase cinco da manhã (sou mesmo uma jovem rebelde) porque não o conseguia pousar. Eu tinha de saber! O final foi tudo o que não esperava, foi surpreendente, rápido e envolvente.

A conclusão deste post é, leiam o livro. É um livro pequeno e que é lido com muita facilidade. Só vos peço é para não fazerem como eu e lerem-no durante a madrugada. Não consegui adormecer durante imenso tempo porque estava convencida que todos os moradores do prédio me iam assassinar durante o sono. O que não vai parecer tão descabido assim que eu vos disser que também moro ao lado da linha do comboio.

Pois.

 

Anúncios

Sugestão de leitura: “O Silêncio do Mar” de Yrsa Sigurdardóttir

Se estão fartos de ler artigos para a tese como eu, deixo-vos uma sugestão de leitura diferente.

Esta sexta-feira (22 de Julho), chega ás livrarias o novo livro de Yrsa Sigurdardóttir, O Silêncio do Mar.

A escritora islandesa cruza o policial e o sobrenatural numa história de barco entre Lisboa e Reiquejavique onde todos desaparecem sem deixar rasto.

O Silencio do Mar recebeu um prémio em 2015 que distingue os melhores policiais dos países nórdicos e muitos dos livros da autora estão em vias de serem adaptados ao cinema.

Capa_O Silêncio do Mar

Sinopse:

«Ægir e a família falaram com a Islândia quando o iate estava a deixar o porto de Lisboa, mas nunca mais se soube deles desde então.»

Um iate de luxo abandona o porto de Lisboa tendo como destino Reiquejavique, na Islândia. Despedindo-se das temperaturas agradáveis da capital portuguesa, a bordo seguem sete pessoas que enfrentarão o frio mar daquele inverno, a caminho do norte.

Porém, daí a alguns dias, quando o barco entra no porto de Reiquejavique, ninguém é encontrado a bordo. O que aconteceu à tripulação e à jovem família que seguia nele ao zarpar de Lisboa? O que se teria passado em Lisboa, ou durante a viagem, que possa explicar o desaparecimento?

Este é o cenário do melhor e mais assustador romance escrito até hoje pela rainha do policial nórdico, Yrsa Sigurdardóttir – um mistério sobre o mar, Lisboa, a família, a fama, negócios obscuros e, como sempre, o mal e a conspiração do ódio.

 

Mais informações sobre o livro:

Género: Literatura / Romance Policial

Formato: 15 x 23,5 cm

N.º de páginas: 448

Data de lançamento: 22 de julho de 2016

PVP: € 18,80 (preço referente ás livrarias Bertrand)

 

Tenho imensa curiosidade em ler esta obra, parece-me muito rica e interessante. Boa aposta para “livro de praia”?

O Oceano no Fim do Caminho – Review

Há muitos anos atrás lembro-me de ver o livro “Deuses Americanos” numa livraria e pensar que a obra abordava uma temática interessante mas que talvez tivesse uma narrativa demasiado complexa para o que eu procurava na altura. Recentemente decidi que devia aventurar-me no mundo de Neil Gaiman até porque “Deuses Americanos” está neste momento a ser adaptado para cinema. Queria um compromisso pequeno com o autor por isso em vez de saltar logo para o objetivo principal decidi provar primeiro as águas deste oceano.

1

O Oceano No Fim do Caminho é contado através da perspetiva de um adulto que recorda a sua infância, pela ocasião de um funeral que o leva de volta à sua terra Natal. Da mesma maneira, ao contar a história de quando era pequeno, a personagem principal refere o ponto de mudança na sua infância, até ali normal, como sendo o suicídio de um mineiro sul-africano.  A ligação entre as duas histórias paralelas – o passado e o futuro- é a morte, porque não existe nada mais real, assustador e misterioso que esse acontecimento.

A narrativa toma contornos fantásticos e sobrenaturais que se desenrolam como metáforas dos sentimentos de uma criança de sete anos e como esta perceciona o “mundo dos adultos”. Apesar de conter um bom pedaço de fantasia mais infantilizada podemos deliciarmo-nos com as metáforas que talvez escapariam a um olhar mais jovem. O tema geral do livro manteve-me sempre em mento o filme de animação “Coraline”, inspirado pelo livro com o mesmo nome, também de Neil Gaiman. O tema subjacente de um ambiente familiar seguro que de repente é abalado por uma substituição da imagem materna é muito forte em ambas as histórias, de maneira que a visão que a personagem principal tem sobre o mundo fica para sempre alterada.

2

Ainda que pequenino em tamanho este livro é grande em significado. Podemos incitar a ideia de que é essencialmente um conto sobre a memória. Sobre como acontecimentos de infância iniciam o compasso da personalidade adulta de um indivíduo, esteja este ciente desse facto ou não. Do ponto de vista de um adulto mostra que mesmo quando crescemos ou envelhecemos continuamos com dúvidas e receios e isso faz parte de “ser”.

Neil Gaiman oferece-nos algo especial com a sua escrita, algo que não é mensurável nem passível de explicação… mas nenhuma coisa especial o é.

“Vou dizer-te uma coisa importante. Os adultos também não parecem adultos, no interior. Por fora são grandes e intrépidos e sabem sempre o que fazer. Por dentro são como sempre foram. Como eram quando tinham a tua idade. A verdade é que não há adultos. Não existe nem um, no mundo inteiro.”

 

PASSATEMPO

Como já podem ter ouvido falar, o 22. em parceria com a Bertrand Editora tem um exemplar do livro “Lobo Solitário” de Jodi Picoult para vos oferecer!

Este livro foi a minha companhia na última semana e podem ler a minha opinião sobre o mesmo AQUI.

Assim está oficialmente aberto o PASSATEMPO. Para ganharem um livro grátis (só envios nacionais) só têm de seguir alguns passos muito simples:

  • Por gosto/like na página do Facebook do blog.
  • Partilhar este post na vossa própria cronologia (de forma pública)
  • Marcar 3 amigos ao partilharem o post.

    O passatempo termina a 24 de Abril e o vencedor será anunciado dia 25, sendo selecionado de forma aleatória.

    Boa sorte a todos.

    *Só envios nacionais.

    passa3

Lobo Solitário – Crítica literária

Tolstoi em Anna Karenina disse que “todas as famílias felizes parecem-se todas; as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira”. E desde 1977 a frase nunca deixou de fazer sentido, sendo a sua essência a sustentação para o livro de Jodi Picoult.

IMG_20160327_230444

Resumindo muito brevemente, a narrativa que nos é apresentada assenta sobre a história de uma família cujo membro que é o elo de ligação está em coma. Assim os filhos são incumbidos de tomar a difícil decisão de manter vivo ou deixar morrer o pai.

Calculo que este não fosse o tipo de livro que eu escolheria para ler, por iniciativa própria, e apesar de nunca ter lido previamente nada da autora, sempre pensei que Picoult escrevesse sobre temas demasiado reais. E tinha razão. O que eu não levei em conta foi a mestria com que a autora o faz. Apesar de nos confrontar muitas vezes com dilemas éticos e morais, os temas são tratados com uma delicadeza sublime. É uma leitura leve na sua escrita, complexa no seu significado. Os temas de eutanásia e doação de órgãos são abordados com uma perícia que eu nunca tinha encontrado antes, sempre envoltos numa narrativa apaixonante e igualmente intrincada mas sem depender demasiado desses temas para construir o seu enredo. Em Lobo Solitário podemos encontrar uma grande variedade e representatividade de personagens narradas por si próprias, dando-nos a conhecer intimamente cada um deles. Quando lemos um livro a tendência é espelharmo-nos nas personagens, mesmo que inconscientemente, e definir a preferida a partir daí. Neste livro, e uma vez que não existe personagem principal, podemos sempre encontrar lugar e um sentido para nós no meio das suas páginas. É por isso que penso que este é uma obra que poderá agradar a uma grande faixa que abranja várias idades. Tenho de fazer um pequeno aviso aos leitores; eu considero o marketing deste livro maioritariamente direccionado para a população feminina porém a escrita é bastante andrógena.

Gostei especialmente das descrições sobre o comportamento dos lobos, são explicações breves e de fácil compreensão que se transformam numa metáfora para o comportamento humano e das personagens. Também não posso deixar de mencionar o epílogo que nos é servido como um chocolate, mostrando que no final tudo faz sentido mesmo que por vezes não pareça.

IMG_20160328_163208

Como o mesmo livro pode significar coisas diferentes para a mesma pessoa dependendo da altura em que é experienciado, Lobo Solitário é, para mim, essencialmente um livro sobre individualidade e a importância da mesma no seio familiar, sempre enlaçado numa suave metáfora lupina. Faz-nos pensar sobre a vida, a morte, o que realmente tudo significa. E a resposta é sempre amor.

IMG_20160328_161229

 

PS.: Aconselho a quem está incerto sobre o livro a ler apenas o prólogo. Ao contrário de muitos livros, este é exatamente um pedacinho aquilo que o livro promete ser.

Página 39- Lobo Solitário

“Sinto-me como Gulliver em Lilliput, demasiado crescido para as minhas próprias memórias.”

Jodi Picault, Lobo Solitário

(A)Provado: O Macarrão de Estaline

A Bertrand ofereceu um livro ao meu namorado, Jorge, por ele ter participado num concurso que EU lhe mostrei. Foram queridos e enviaram o livro “O Macarrão de Estaline” de Jon Rönström. O livro é uma compilação de receitas que foram um acompanhamento na história mundial. A receita das panquecas da Rosa Parks, o que foi servido no primeiro jantar dos óscars, a salada de camarão do Kurt Cobain (que foi encontrada escrevinhada como nota num dos seus blocos), entre muitas outras receitas curiosas encontram-se aqui.

Desde sempre que a comida aproxima pessoas, gerações e culturas por isso não é de estranhar que este livro ressoe em mim desta maneira tão peculiar. Assim, decidimos experimental o tal macarrão de Estaline, apesar de ser muito simples de fazer, eu, com os meus poderes de chef principal, claro que pedi ao subchefe Jorge para cortar a cebola (os namorados também impedem as namoradas de chorar por isso era um trabalho 2 em 1). Foi o macarrão que Estaline, Churchill e Roosevelt partilharam durante a Conferencia da Crimeia em 1945 e assim faz sentido que o ingrediente secreto seja molho inglês.

lidow_2016118144636210

Opinião do subchefe/consumidor/Jorge: “Era bom. Não era gorduroso e é uma refeição rápida”.

Está (a)provado!

.. ..

 

—————————

Bertrand, a portuguese editor, gave my boyfriend Jorge a book because he enterer a contest that I told HIM about. They were very sweet and sent us the book “O Macarrão de Estaline” (Stalins Makaroner it’s the original name because I don’t think there is an English version yet). The book is a gathering of recipes that were a side dish in world’s history. Rosa Parks’ pancakes, what was served in the 1st gala of the Oscars, the shrimp salad of Kurt Cobain (that was found scribbled between his notes), between many other interesting recipes that are found here.

Food always brought people closer, generations and cultures together so it’s not so strange to think that this book has this quirky effect on me. So we decided to try this pasta recipe, and although it’s very simple to make, I, with my main chef powers, asked sub chef Jorge to chop the onions for me (boyfriends have the task to prevent girlfriends from crying so it was a 2×1 job). This was the pasta that Stalin, Churchill and Roosevelt shared during the 1945’s Crimea Conference, making sense that the secret ingredient is English sauce.

lidow_2016118144636210

Sub chef/eater/Jorge’s opinion: “It’s good. It wasn’t greasy and it’s a fast meal”.

It’s Approved!

.. ..