PASSATEMPO

Como já podem ter ouvido falar, o 22. em parceria com a Bertrand Editora tem um exemplar do livro “Lobo Solitário” de Jodi Picoult para vos oferecer!

Este livro foi a minha companhia na última semana e podem ler a minha opinião sobre o mesmo AQUI.

Assim está oficialmente aberto o PASSATEMPO. Para ganharem um livro grátis (só envios nacionais) só têm de seguir alguns passos muito simples:

  • Por gosto/like na página do Facebook do blog.
  • Partilhar este post na vossa própria cronologia (de forma pública)
  • Marcar 3 amigos ao partilharem o post.

    O passatempo termina a 24 de Abril e o vencedor será anunciado dia 25, sendo selecionado de forma aleatória.

    Boa sorte a todos.

    *Só envios nacionais.

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Lobo Solitário – Crítica literária

Tolstoi em Anna Karenina disse que “todas as famílias felizes parecem-se todas; as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira”. E desde 1977 a frase nunca deixou de fazer sentido, sendo a sua essência a sustentação para o livro de Jodi Picoult.

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Resumindo muito brevemente, a narrativa que nos é apresentada assenta sobre a história de uma família cujo membro que é o elo de ligação está em coma. Assim os filhos são incumbidos de tomar a difícil decisão de manter vivo ou deixar morrer o pai.

Calculo que este não fosse o tipo de livro que eu escolheria para ler, por iniciativa própria, e apesar de nunca ter lido previamente nada da autora, sempre pensei que Picoult escrevesse sobre temas demasiado reais. E tinha razão. O que eu não levei em conta foi a mestria com que a autora o faz. Apesar de nos confrontar muitas vezes com dilemas éticos e morais, os temas são tratados com uma delicadeza sublime. É uma leitura leve na sua escrita, complexa no seu significado. Os temas de eutanásia e doação de órgãos são abordados com uma perícia que eu nunca tinha encontrado antes, sempre envoltos numa narrativa apaixonante e igualmente intrincada mas sem depender demasiado desses temas para construir o seu enredo. Em Lobo Solitário podemos encontrar uma grande variedade e representatividade de personagens narradas por si próprias, dando-nos a conhecer intimamente cada um deles. Quando lemos um livro a tendência é espelharmo-nos nas personagens, mesmo que inconscientemente, e definir a preferida a partir daí. Neste livro, e uma vez que não existe personagem principal, podemos sempre encontrar lugar e um sentido para nós no meio das suas páginas. É por isso que penso que este é uma obra que poderá agradar a uma grande faixa que abranja várias idades. Tenho de fazer um pequeno aviso aos leitores; eu considero o marketing deste livro maioritariamente direccionado para a população feminina porém a escrita é bastante andrógena.

Gostei especialmente das descrições sobre o comportamento dos lobos, são explicações breves e de fácil compreensão que se transformam numa metáfora para o comportamento humano e das personagens. Também não posso deixar de mencionar o epílogo que nos é servido como um chocolate, mostrando que no final tudo faz sentido mesmo que por vezes não pareça.

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Como o mesmo livro pode significar coisas diferentes para a mesma pessoa dependendo da altura em que é experienciado, Lobo Solitário é, para mim, essencialmente um livro sobre individualidade e a importância da mesma no seio familiar, sempre enlaçado numa suave metáfora lupina. Faz-nos pensar sobre a vida, a morte, o que realmente tudo significa. E a resposta é sempre amor.

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PS.: Aconselho a quem está incerto sobre o livro a ler apenas o prólogo. Ao contrário de muitos livros, este é exatamente um pedacinho aquilo que o livro promete ser.

Página 39- Lobo Solitário

“Sinto-me como Gulliver em Lilliput, demasiado crescido para as minhas próprias memórias.”

Jodi Picault, Lobo Solitário