A Casa do Senhor Tim Burton para Filmes Peculiares – Review do filme

Como sabem, recentemente foi adaptado para grande ecrã o livro “O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares” de Ransom Riggs. Podia ser apenas uma adaptação livro-filme como tantas outras se não fosse o realizador o icónico Tim Burton.

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O trabalho de Burton cresceu sobre o olhar do público e, ultimamente, também o público assistiu à sua passagem “do outro lado do espelho” para um lado mais comercial. Sim, aquilo foi uma referência ao filme da Alice no País das Maravilhas, que, também foi realizado pelo Tim Burton. Insatisfeita desde essa altura e tentando esquecer que o Dark Shadows existe, apenas consegui ver Burton como me lembro dele no filme de animação Frankenweenie. Assim, este novo filme surge com imensa curiosidade, em parte para ver se a adaptação do filme é consistente com o livro e se é bom como obra “Burtonesca” por si só.

A verdade é que depois de sair do visionamento do filme e passado uma semana ainda não tenho uma resposta concreta. A história, comparativamente aos livros, está diferente e este fato não é exatamente mau pois como eu disse na minha review do livro, a narrativa torna-se por vezes forçada, enquanto no filme flui com mais facilidade. Outra diferença assenta, obviamente, no final. Nos livros o final é deixado em aberto para facilitar a transição para os outros volumes da história. No filme a narrativa fecha, de forma um pouco confusa e de forma apressada.

Pude reconhecer no filme alguma centelha do mundo Burton. Pequenas memórias de filmes anteriores que foram “plantadas” na Casa da Srª. Peregrine de forma nostálgica. Desde o arbusto em forma de T-Rex que nos leva até ao Eduardo Mãos de Tesoura até à simples premissa do filme nos faz lembrar Burton, mas sem o ser completamente. Houve coisas geniais como as bonecas zombie (animadas com stop-motion) feitas por uma das crianças peculiares, a música bizarra escolhida numa das cenas finais, o guarda-roupa, e claro, o facto de os vilões comerem os olhos das crianças, dando o aspeto de folclore e conto todos que crescemos a ouvir.

O filme tem todos os ingredientes para correr bem: o típico pré-adolescente que subitamente descobre que é especial, romance, estética Vitoriana e Eva Green. Esta última, Eva Green, foi maravilhosa como senhora Peregrine e fez-me descobrir um novo amor por azul-escuro e preto.

A Casa da Srª. Peregrine faz lembrar muitos outros grandes filmes de Tim Burton, uma mistura ente “Eduardo Mãos de Tesoura” e “O Grande Peixe” (é o meu filme preferido, deviam ver, se ainda não viram) que não dececiona, sejam fãs de Tim Burton ou não.

Gostei, principalmente pela reminiscência feita ao “velho” Burton mas acho que faltava uma pitada de qualquer coisa. Provavelmente uma pitada de “Eu-não-quero-saber-do-número-de-lucro-e-vou-fazer-a-minha-cena-bizarra-que-é-o-que-eu-faço-melhor-porque-eu-sou-o-Tim-Burton!

Ps.: Alguém viu o Tim Burton numa das últimas cenas na roda gigante durante um milésimo de segundo ou fui só eu?

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Da Senhora Peregrine para Tim Burton/From Miss Peregrine to Tim Burton

O anúncio de que o Tim Burton tinha pegado na ideia do livro da senhora Peregrine para fazer um filme já não é nova, porém, apenas na semana passada foram divulgadas as primeiras fotografias do filme (http://www.ew.com/article/2016/03/04/miss-peregrine-tim-burton-photos e http://www.empireonline.com/movies/news/tim-burton-miss-peregrines-home-peculiar-children/). Assim, e apesar de eu já ter lido este livro há um ano atrás, decidi mostrar-vos um bocadinho deste mundo peculiar antes de o vermos através dos olhos de Burton.

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Quando era pequena a minha palavra favorita era “bizarro” Penso que a ouvi pela primeira vez enquanto via uns desenhos animados na velha casa dos meus avós. Com a magia própria das palavras “bizarro” ficou sempre comigo, marcando-me em todas as escolhas literárias do futuro. Assim não é de estranhar que no dia em que completei 22 anos tenha adquirido o livro “O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares” de Ransom Riggs. Este livro surgiu de uma coleção de fotografias vintage, algo bizarras, através das quais o autor construiu uma narrativa incorporando romance, mistério e claro, crianças peculiares.

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Para além de lerem diz-se que os olhos também comem e os meus adoram edições especiais de livros. Também se diz que não se deve julgar um livro pela capa… mas o que fazer quando a capa é deliciosa? O Lar da Senhora Peregrine é essencialmente isto, uma obra visual em que a narrativa está, por vezes, forçada a compactuar com as fotografias de uma forma que nem sempre é harmoniosa. É uma leitura suave, direcionada a uma faixa etária mais jovem que a minha mas que não deixa de ser adequado para alguns adultos que, como eu, ainda se lembram do que é ser uma criança e querem celebrar isso com um livro… peculiar.

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Estou muito curiosa para ver como vai ser esta abordagem cinematográfica aos livros. Espero que a combinação ultra especial de Burton + Eva Green resulte num filme mais negro que a obra em que se baseia.

Ainda acho que a Helena Bonham Carter dava uma ótima Miss Peregrine… mas todos sabemos porque é que ela não está no filme.

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Oscars, DiCaprios e outras considerações

Estamos muito perto dos Oscars e este ano a questão “será que é desta, DiCaprio?” mantem-se. Portanto aqui ficam algumas considerações sobre esta gala e opiniões que não serão assim tão populares.

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  • Apesar de achar que o Oscar de melhor filme vai ser atribuído ao The Revenant, ainda acho também que este filme é um exemplo perfeito de que bom realizador + bons atores + boa fotografia nem sempre equivale a uma boa narrativa. Os aspectos visuais eram excelentes, sempre com um elemento de surpresa porém não achei o argumento propriamente inovador.
  • A prestação do Tom Hardy foi superior à do Leonardo DiCaprio, no mesmo filme, pelo que este deverá levar para casa a estatueta de melhor ator secundário.
  • Não, acho que o Leo ainda não vai ganhar este ano, e apesar de estar a torcer pelo Redmayne (ainda vou fazer uma review da Danish Girl apesar de já estar atrasada) ainda acho que vai ser o Fassbender o vencedor da noite. Porquê? Não sei, palpites (afinal é para especular que servem os oscars).
  • Brie Larson, claro. The girl is on a hot hair balloon and the only way is up. Se bem que também a Saoirse (mas esta já ganha por ter um dos melhores nomes Europeus).
  • É um bom ano para girl power, todas as prestações foram óptimas, e aponto a Alicia Vikander para melhor atriz secundária (é, tenho mesmo de fazer a review do Danish Girl). Ofereço uma menção honrosa a Jennifer Jason Leigh pela participação no Hateful Eight. Nunca vi personagem mais fora do comum que a dela.
  • Tenho especial consideração pela categoria de animação. Não há grandes surpresas aqui, infelizmente os estúdios grandes arrecadam sempre os prémios, não que não sejam merecidos, mas o estúdio Ghibli já merecia algum reconhecimento ocidental, especialmente agora que está em vias de desligar as luzes. Assim não me espanta que os dois grandes deste estúdio tenham recusado a proposta da academia para fazerem parte do júri.
  • Espero que o Mad Max colecione algumas estatuetas em aspectos mais técnicos e o Star Wars na melhor banda sonora.
  • O guarda-roupa este ano é de quem o apanhar mas acho que o The Renevant vai ter os braços mais longos.
  • O tema polémico da falta de diversidade nos Óscars este ano é, na minha opinião, propositado. Já viram o Beasts Of No Nation? Não? Então vão ver e depois venham cá falar comigo sobre o Idris Elba. Entre representatividade e oportunidade de papeis multirraciais ficamos com excelentes actores desvalorizados. Mas o Chris Rock não vai deixar passar isto ao lado. 82412-Idris-Elba-JUDGING-YOU-gif-RTIO

Conclusão: Os Oscars refletem uma opinião de um certo grupo específico de pessoas, não devendo ser considerados como um selo de aprovação definitivo do que é bom ou mau. Ou do que é melhor sobre o outro. Pessoas diferentes sentem filmes diferentes de forma diferente e o que a academia considera melhor não tem de ser necessariamente o melhor para o espectador. Penso que os Oscars deveriam ser uma celebração do que melhor se faz na sétima arte e não uma competição tão acesa como é agora. Toda a gente gosta de ver o seu trabalho reconhecido claro mas, por exemplo no caso do Leonardo DiCaprio, se ainda não for este ano que o moço ganha o tão almejado Oscar, não faz dele um actor inferior ao que eventualmente ganhe. Não devia ser a opinião das pessoas que consomem os filmes mais importante que a opinião de meia dúzia de homens de meia idade? Ninguém é dono da arte, e como em todas as outras 6 artes, é tudo muito subjetivo.

Ps.: Esperem os memes segunda, com ou sem Oscar. BREAK THE INTERNET LEO!

Review Os Oito Odiados/The Hateful Eight

Review Os Oito Odiados/The Hateful Eight

Já acordaram um dia e pensaram para vocês mesmos “Sou uma menina linda, talentosa e maravilhosa”? É que foi o que aconteceu ao Tarantino no dia em que ele decidiu realizar Os Oito Odiados. O filme é uma ode ao género Tarantino (sim porque já é praticamente um género à parte) que celebra a carreira do autor. É um Western desde o início até ao fim onde nada é bonito, exceto a neve, e até essa fica manchada de sangue. Os diálogos são maravilhosos que, juntamente com a caracterização das personagens, ficamos com um filme borderline peça shakespeariana. A pitada de mistério e suspense não podiam faltar. É um ótimo filme que se desenrola suavemente sem ser forçado.
Talvez o Tarantino seja mesmo uma menina linda, talentosa e maravilhosa.

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